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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Linda professorinha Part. II




No mesmo dia em que S/n finalmente aceitou meu pedido, nós saímos para almoçar. Antes, claro que eu deixei Theo em casa. Em seguida, dirigi até uma churrascaria.

-Você vai ter que se esforçar para mudar a primeira impressão que me passou, Horan.
-Você está se referindo aos meus atrasos nos primeiros dias?
-Sim, com certeza -Assentiu, bebendo um pouco do suco que tinha pedido.
-Caraca, S/n! No resto dos dias eu cheguei no horário certo e ainda fiquei esperando, com toda a paciência do mundo. Alivia para o meu lado, né, por favor -Ela riu.
-Estou brincando, até que você fez um excelente papel de responsável...
-É, eu sei -Me gabei.
-Mas me conta sobre você. As coisas que eu não sei, claro.
-Ok, primeiro me diga o que você sabe sobre mim.
-Eu sei tudo o que passa nos sites e nas TVs.
-Por exemplo...
-Que há um mês atrás você estava em turnê pelo mundo; que teve um caso com a Barbara Palvin; que você ama golf... Essas coisas banais.
-Banais? Está chamando minha vida de banal?
-Não, estou chamando as informações que a mídia passa sobre a sua vida de banais.
-Tudo bem... Hm, eu moro sozinho, amo o meu trabalho e minhas fãs, meus esportes favoritos são golf e futebol, sou apaixonado pelo meu sobrinho, sou um pouco viciado em celular e estou solteiro... Essa última notícia é muito importante para você -Tive que falar.
-Engraçadinho -Respondeu.
-E você?
-O que tem eu?
-O que eu não sei sobre você?
-Tudo, né! A única coisa que você sabe é que eu sou professora do seu sobrinho.
-E que é difícil. Em todos os sentidos...
-Ah, fica quieto -ri.
-Vai, me conta!
-Ah, eu moro com uma amiga, também amo meu trabalho, pois adoro crianças, odeio banana, sou apaixonada por violões e sou brasileira.
-Eu sabia que você não era daqui! Com esse corpo, meu Deus..
-Niall! -Ela me repreendeu, rindo- Me respeita.
-Desculpe... E, hm, você sabe tocar violão?
-Não.
-Então como gosta?
-Gostando, ué -Deu de ombros- Gosto do som dele. Queria aprender a tocar, mas nunca tive tempo para isso.
-Bom, eu toco violão muito bem, posso te ensinar.
-Uou, você toca violão? Mentira.
-Verdade -Respondi sorrindo- Ganhei pontos com isso?
-Muitos.

[...]

-Chegamos -Ela disse, quando estacionei o carro em frente o apartamento dela- Quer entrar?
-Por quê não? -Respondi, desligando o carro.
-Não pense besteira, hein -Falou, quando saiu do carro.
-Nem estava pensando...
-Uhum -Desconfiou.

Pegamos o elevador e ficamos nos encarando. Quando não aguentamos mais, começamos a gargalhar um da cara do outro.

-Somos dois idiotas.
-Tenho certeza disso -Concordei, vendo-a abrir a porta.
-Acho que a Denise ainda não chegou do trabalho, então podemos fazer barulho.
-Tudo bem -Ri, achando graça do comentário. O apartamento era muito confortável e feminino. Havia porta-retratos em lugares estratégicos e almofadas cor-de-rosa.

Nos sentamos no sofá, e de repente, uma moça alta e ruiva chegou na sala, com uma toalha enrolada na cabeça.

-S/n, você não me avisou que chegaria agora, eu teria preparado um almoço e ... Ai, não sabia que estava com visita, desculpe- Disse, olhando de mim para S/n- Espera, você é aquele carinha que aparece na TV, o membro daquela banda...
-Sim -Respondi com um sorriso- Eu sou o...
-NIALL HORAN! -Gritou, me assustando- AI, MEU DEUS, NIALL HORAN ESTÁ NA MINHA CASA!
-Bom, Niall, essa é minha amiga Denise -S/n apontou dela para mim- E, Denise, bom... Acho que você já sabe quem é ele.
-Prazer em conhecê-la -Fui apertar a mão dela, que quase caiu para trás quando foi retribuir o gesto, fazendo S/n revirar os olhos.
-O prazer é todíssimo meu.
-Denise, não exagera -S/n murmurou.
-Olha, eu vou deixar vocês a sós, não vou interromper, mas você pode por favor tirar uma foto comigo? Eu tenho uma priminha que é louca pela sua banda.
-Claro, com certeza -Respondi, gentilmente.

S/n tirou a foto para nós e eu autografei um caderninho. Quando Denise nos deixou sozinhos, eu não pude evitar uma risada.

-Ela é sempre assim?
-Sempre -S/n respondeu, começando a achar graça também- Quer um café?

Segundo encontro 

-Eu não acho que você seja tão lindo assim... -Ela murmurou, fazendo-me olhá-la com incredulidade. Nossos braços roçavam um no outro já que andávamos lado a lado pelo parque principal da cidade.
-Ah, qual é, S/n? Ninguém nunca disse isso para mim.
-Como dizem, para tudo tem uma primeira vez -Ela sempre tinha uma resposta na ponta da língua. 
-Mas você está mentindo porque me acha lindo, sim, só não quer admitir! -Empurrei-a de leve.
-Ai -Reclamou, me empurrando de volta- Eu não estou mentindo.
-Eu tenho absoluta certeza de que está.
-E por que?
-Porque o mundo todo sabe que eu sou lindo.
-Meu Deus, como você é metido! -Ela disse, enquanto balançava a cabeça e ria.
-Sou apenas verdadeiro.
-Não foi verdadeiro nessa afirmação.
-Eu fui completamente verdadeiro -Afirmei- Se me acha feio, por que aceitou sair comigo?
-Porque mesmo que você seja chato, metido, insuportável, pretencioso e...
-Pula essa parte -Pedi. Ela riu brevemente.
-Mesmo que você seja tudo isso, eu gostei da sua companhia. Gosto de te irritar me fazendo de boba -Brincou e eu revirei os olhos- Mas só por que você é feio eu não posso sair com você?
-Ah, sei lá -Dei de ombros, enfiando as mãos nos bolsos da calça, ainda caminhando- Só achei que o fato de eu não ser "tão lindo assim" poderia prejudicar a sua imagem.
-Como assim? -Me olhou confusa e um sorriso presunçoso surgiu nos meus lábios.
-O que as pessoas iriam pensar se vissem uma jovem tão linda quanto você com um garoto qualquer, "não tão lindo assim"? -Fui irônico, repetindo as mesmas palavras que ela.
-Puxa vida, Niall! Eu nem tinha pensado nisso -Deu um tapinha na própria testa, fazendo um pequeno teatro debochado- Você devia ter me lembrado antes, afinal, não é todo dia que eu, integrante de umas das girlbands mais famosas do mundo, saio com um professorzinho qualquer, como você.

Dessa vez eu não aguentei e comecei a gargalhar da troca de papéis que S/n tinha feito conosco. Essa garota consegue chegar ao topo no quesito 'comédia'.

-Mas, brincadeiras à parte, eu estava só zoando. Você é bonitinho, sim.
-AHÁ! -gritei, ao ouvi-la pronunciar aquelas palavras. Por conta do meu repentino grito, S/n levou um susto.
-Ai, seu idiota! -Me deu um tapa- Exagerado.

Quinto encontro

Bom, eu e S/n passeamos várias vezes durante a semana e eu nem sequer havia ganhado um mísero selinho. Não posso dizer que eu não esperava por isso porque eu já sabia que ela ia continuar com essa palhaçada de 'garota difícil'. Isso é tão estúpido e mesmo assim eu acho um charme, pois me faz querê-la ainda mais.

S/n é diferente de todas as garotas com quem eu já me relacionei depois da fama. Elas só queriam se aproveitar do meu status, meu dinheiro, meus carros... Nunca tive um amor verdadeiro por nenhuma delas e tenho certeza que elas também não davam a mínima para mim quando se tratava de sentimentos amorosos. 

Porém, S/n, mesmo que não me amasse de fato, não se aproximou de mim pelos meus bens materiais, e isso foi um ato que mexeu muito comigo pois ela conseguiu me mostrar que não dependia de homem e sabia ser forte nas horas necessárias. Claro que quando ela me rejeitou diversas vezes seguidas, eu fiquei com raiva -e ainda mais atraído-, mas hoje isso me parece uma atitude boa.

Sim, eu, Niall Horan -membro de uma das boybands mais ricas dos últimos tempos- estou falando que posso estar, possivelmente, gostando de verdade de uma simples professora. Ela roubou meu coração. O que posso fazer? Com a personalidade forte, caráter definido e opiniões formadas, S/n me conquistou. E eu tenho certeza que ela não fez nenhum esforço para isso.

Bom, no momento estou olhando para ela. S/n tagarelava sobre a última coisa engraçada que um de seus aluninhos havia aprontado e, sinceramente, eu não estava ouvindo nada porque desviei minha atenção para analisar seu rosto e chegar a conclusão, mais uma vez, de que ela é realmente linda.

Ok, desde quando eu fiquei tão sentimental assim?

Mas sério, fiquei me perguntando o por quê de, na maioria das vezes, as mulheres encherem a cara com tanta maquiagem sendo que, muitas vezes, ficam mil vezes mais bonitas sem. Como S/n.
Não minto quando digo que ela fica terrivelmente linda quando está bem maquiada, mas agora, ali, apenas com um brilho nos lábios, ela me passava uma sensação de paz. E também uma sensação de "Meu-Deus-Eu-Preciso-Beijar-Essa-Boca-Maravilhosa-Dela".

-...Então, foi muito engraçado -Finalizou a hisória, sorrindo. 

Apaguei meus pensamentos e comecei a sorrir também, como se tivesse prestado atenção em tudo. Até que ela percebeu que eu estava completamente alheio.

-Niall, você não prestou atenção em nada do que eu disse. Gastei minha saliva aqui para você me ignorar por completo.
-Ok, confesso que não consegui me concentrar. Mas a culpa não foi minha -Defendi-me, falando a verdade.
-A culpa foi minha por que sou muito chata, né? -Perguntou, divertida e eu ri brevemente.
-A culpa foi sua, mas não porque você é chata.
-Por que então? O que eu fiz? -Interrogou, bebendo seu suco. Ela não parecia muito interessada em ouvir a resposta.
-O que você fez? Hm... Nascer estupidamente linda já responde tudo.

Ela parou de beber o suco rapidamente e me olhou nos olhos.

-Niall -Murmurou, em um tom de fofura junto com o de repreensão- Para, vai me deixar vermelha, droga! -Comecei a rir.
-Parar com o que, meu Deus?
-Parar de me deixar sem graça, oras! -Respondeu, colocando a mão no rosto, tampando-o.
-Desculpa, mas tenho que dizer que você fica ainda mais linda quando está assim, coradinha -Disse a verdade, mas o principal objetivo foi vê-la me repreender. E ela fez isso, claro. E eu ri, como é de costume quando estou com ela.
-Niall, é sério! -Ela me encarou, risonha- Eu não sei lidar com elogios, então, por favor, controle-se.
-Como vou me controlar sendo que você é uma das mulheres mais perfeitas que eu já vi? -Ela ficou vermelha de novo e minha vontade de gargalhar foi alta, mas me contive em um risinho baixo porque ainda estávamos no restaurante.
-Idiota, para! Em vez de prestar atenção na minha história fica reparando meu rosto -Reclamou.
-Já disse que a culpa não é minha. Falo a verdade quando digo que me distraí com seus traços extremamentes encantadores.
-Eu vou dar na sua cara.
-Primeira vez que vejo uma menina que consegue ser bruta e linda ao mesmo tempo.
-NIALL! -Repreendeu-me e dessa vez eu ri. Recebi alguns olhares, mas não estava nem aí.

Após deixarmos o restaurante, seguimos para o estacionamento, onde, ao invés de entrarmos no carro, ficamos caminhando lado a lado, falando sobre coisas banais que nos divertiam vez ou outra.
Em um momento, S/n ficou entretida no celular, parando de me dar atenção e eu fiquei incomodado com isso. O viciado em telefone móvel sou eu e nem por isso peguei-o. 

Não paramos de caminhar em nenhum segundo, e por isso, sabendo que ela nem notaria, andei um pouquinho mais rápido. Quando estava um pouquinho distante -menos de um metro- eu me virei para ela, que ainda teclava no aparelho. Ela caminhou, sem tirar os olhos da tela, e quando chegou em mim, acabou chocando nossos corpos pela falta de atenção. 
S/n olhou para cima, direcionando seu olhar ao meu rosto, pronta para reclamar. Porém, quando eu vi aqueles olhos brilhantes dela tão de perto, não me segurei.

Agarrei sua cabeça com minhas duas mãos e fundi nossos lábios.

A música "we are the champions" poderia até estar tocando na minha mente agora, mas eu estava ocupado demais provando o sabor dos lábios da professora. Aliás, o beijo era doce e isso me encantou mais ainda, dando-me vontade de continuar com aquilo. E eu ia.

Até que o beijo foi interrompido por uma buzina.

Me esqueci por alguns segundos que estávamos no estacionamento, então isso provavelmente aconteceria, mas mesmo assim eu estava com raiva do motorista pois ela se afastou na mesma hora. Saímos do meio da pista e S/n se apoiou em um carro, mexendo nos cabelos com uma expressão indecifrável. Queria muito saber o que ela estava pensando.
Na verdade, eu queria mesmo beijá-la, e como tenho tudo o que quero, puxei-a novamente. Só que dessa vez, pela cintura, fazendo-a se desencostar do carro. Por incrível que pareça, S/n enroscou seus braços em meu pescoço, permitindo-me continuar. Isso me deixou feliz porque ela estava, finalmente, me dando espaço para 'entrar' em sua vida.

A professora afastou seus lábios dos meus, deixando-me frustrado, e me olhou nos olhos, sem se afastar.

-Eu acho que vou matar você, Niall Horan.
-De beijos? -Perguntei, não podendo evitar. Ela soltou uma risadinha.
-É uma boa opção, confesso.
-É a melhor das opções -Concluí- Agora, por favor, mantenha essa sua boquinha na minha pelos próximos quarenta minutos, por favor? -Pedi, já pegando em sua nuca e trazendo-a para mim, que sorriu antes de atender meu pedido.

E, de novo, fomos interrompidos. Dessa vez, pelo dono do carro em que estávamos encostados. Será que ele não tem consideração?

Uma semana depois (S/n narrando)

Theo chegou na sala de aula animado. A primeira coisa que ele fez, por incrível que pareça, não foi cumprimentar os amiguinhos, e sim me entregar um papelzinho.

-Um bilhete do tio para você -Sorriu, adoravelmente. Sorri de volta e fiquei de joelhos até ficarmos na mesma altura.
-Obrigada, meu amor -Dei um beijo estalado em sua bochecha- Tio Niall te trouxe hoje?
-Sim. A mamãe está muito contente porque ele está deixando ela ir ao salão de beleza muitas vezes -Soltei uma risada.
-É, seu tio é realmente um homem muito bondoso... Vá se sentar -Pedi, levantando-me. O pequeno Theo obedeceu.

"Preciso te perguntar uma coisa séria. Venha até o corredor principal correndo."

Acho que ele se esqueceu que estou no meu local de trabalho e tenho uma turma inteira de criancinhas para cuidar. Porém, eu ri com o bilhete. Parecia que ele estava desesperado.
Fui até a porta e vi uma das estagiárias andando. Gritei-a e pedi, educadamente para que ela olhasse minhas crianças por poucos minutos.

Andei apressadamente até onde ele me pediu, e quando cheguei, ele estava lá, parecendo nervoso. Franzi a testa, tentando deduzir o que poderia estar acontecendo, mas nada coerente veio até a minha mente.
Niall me viu e logo se levantou, colocando as mãos no bolso. Realmente não entendi a aparência preocupada dele, já que estávamos ficando a uma semana e ele estava bem a vontade com tudo.

-Que foi? Parece preocupado -Disse, alisando seus braços, olhando-o nos olhos.
-É porque eu estou -Disse, beijando minha testa- Vou ser breve porque sei que você está trabalhando.
-Ok -Assenti- Mas o que está acontecendo?
-É, eu... -Ele olhou para cima, parecendo procurar respostas do céu- Eu quero saber se... Se você aceita ser minha... hm, namorada -Ele me encarou ao pronunciar a última palavra, visivelmente ansioso.
-Sua namorada? -Abri um pequeno sorriso, sem querer.
-É. Por favor, acabe logo com isso porque esse momento está me matando -Pediu, e eu tive vontade de gargalhar- Eu sei que vou levar um 'não' bem no meio da minha cara porque você deve achar que ainda não é tempo e tals, mas eu acho que estou realmente te amando a cada dia mais e espero que você possa ser minha um dia. Tudo bem, pode não ser hoje porque você não quer, mas...
-Niall?
-...eu posso esperar o tempo que for por você, entende? É o que eu sinto no momento e...
-Niall?
-... o que me mata é não saber o que você sente porque talvez você possa querer apenas meus beijos e nenhum compromisso, mas tudo bem, desde que seja com você, eu não ligo por que eu te amo. E também qu...
-NIALL! -Gritei, sorrindo de orelha a orelha- Eu aceito ser sua namorada. Aceito muito, aceito para valer, aceito mesmo!

Niall, de primeira, me encarou perplexo, mas depois abriu um sorriso lindo demais. Me puxou de uma maneira exageradamente forte para um abraço, e ficamos assim alguns segundos, até que me lembrei que tinha que trabalhar.

-Eu tenho que ir, ok? -Disse, me afastando e dando mil selinhos na boca dele.
-Eu venho buscar você e o Theo -Afirmou, abraçando-me mais uma vez.
-Tudo bem, vou te esperar -Comecei a caminhar e no meio do caminho, ele gritou meu nome. Me virei.
-Só para dizer que eu te amo... Namorada.

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