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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

I need you



Durante os últimos dias pude comprovar que a vida nem sempre é justa com as pessoas. Eu estou sofrendo de um brabo resfriado. Minha cabeça doía, meu nariz estava entupido, tô tossindo pra caramba, tô mais friorenta que o normal e para ferrar ainda mais com tudo, eu estava no meu período menstrual, com uma cólica terrível. Sim, hoje não é um dos meus melhores dias. Por isso que eu estou na cama desde a hora que acordei, nem atrevi a me levantar.

Um vento frio bateu contra meu rosto, e eu resmunguei baixo por isso, puxando meu grosso cobertor mais para cima. Eu queria tanto que eles estivesse aqui... Eu tenho certeza que ele seria capaz de me aquecer bem melhor que cobertor. E ainda cuidaria de mim, como ele sempre faz toda vez que fico desse jeito.

Meu marido Louis está em turnê, e eu não estou totalmente triste por isso. É o trabalho dele, ele gosta do que faz, e mesmo que essa maldita distância nos separe, eu sei que no final, eu vou poder dormir tranquila nos braços dele outra vez. O problema é que essa casa fica um completo tédio sem ele, ainda mais comigo doente. Porém, quando me casei tive noção de que dias assim ia acontecer, agora eu só teria que aguentar.

Respirei fundo, e enfiei meus braços debaixo do meu travesseiro branco, apalpando a cama, procurando pelo meu celular. Eu não ia conseguir, precisava ouvir a voz dele. O mais rápido possível.

Quando achei meu aparelho móvel, rapidamente o desbloqueei e isso fez com que eu fechasse meus olhos de uma forma rápida, por conta do forte brilho da tela. Diminuí o brilho e disquei o contado recente "amor da minha vida". Sorri ao lembrar que foi meu próprio marido, sempre brincalhão, que colocou esse nome.

-Oi, minha linda -Ele disse docemente do outro lado da linha, assim que atendeu. Sua voz roquinha e um tanto fina me vez sorrir, involuntariamente.
-Oi, Lou... -Minha voz saiu fraquinha, por conta das tosses dos últimos dias.
-Tá tudo bem? -Claro que ele perceberia que nada estava indo bem. Me conhece há muito tempo para saber disso.
-Eu tô muito mal -Admiti.
-O que aconteceu? -Sua voz mudou para um tom mais preocupado e eu sabia que não deveria ter falado nada. Não queria que ele ficasse se preocupando comigo. Ele precisava se concentrar nas coisas da banda.
-Nada muito grave, só queria que você estivesse aqui comigo -Tentei desviar o assunto.
-Linda, eu também queria estar com você, mas me diga o que está acontecendo? Sua voz tá fraquinha... Você quer que eu volte antes da turnê acabar? -Indagou, rápido e eu arregalei os olhos.
-Nem pensar, Lou, continue trabalhando, os meninos precisam de você. Não existe One Direction sem Louis Tomlinson, certo? -Fiz uma tentativa meio falha de deixar minha voz mais animada para ver se conseguia convencê-lo de que estava tudo bem.
-Mas você é minha esposa, e se precisar, eu volto agora mesmo para cuidar de você...-Ok, meus olhos começaram a arder, avisando que lágrimas cairiam logo logo. Eu sinto tanta falta dele. Precisava dos carinhos dele mais do que nunca.
-Eu consigo esperar, falta pouquinho -Minha voz saiu falha mais uma vez, só que dessa vez, foi por conta das lágrimas que rolavam pela minha bochecha.
-Você tá chorando, baby? Diz para mim que não, por favor. Sabe que isso parte meu coração! -Meu marido meio que suplicou, com o tom de preocupação invadindo novamente sua linda voz. Eu não consegua evitar as lágrimas. Eu precisava dele. Quem eu queria enganar? Nem à mim mesmo eu consigo.
-Tá tudo bem, é só uma saudade boba. Logo você vai estar de volta, certo? E eu vou fazer questão de ir te buscar no aeroporto -Tentei pensar positivo e até que ajudou.
-Amor, eu sei que não ta nada bem com você. Eu posso voltar se você quiser -Afirmou, mais uma vez.
-Meu lindo, termine seu trabalho. Quando você voltar, irei estar aqui te esperando, ok? Não queria te deixar preocupado nem nada. Desculpe.
-Não precisa pedir desculpa, linda. Eu que tenho que te pedir, estou me sentindo um culpado de te deixar em casa sozinha e passando mal...
-Então, precisamos fazer alguns herdeiros, não acha? -Indaguei, sugestiva. Talvez eu tivesse puxado esse humor do meu marido- Assim, quando você sair em turnê, eu não me sentirei sozinha.
-Opa, essa ideia eu adorei! -Logo, um tom de humor tomou sua voz também- Podemos fazer vários herdeiros porque além de ser ótimo de fazer, -Soltei uma risada- Nossa casa pode virar um parque de diversões, eu não me importaria nem um pouco.
-Eu também não -Concluí, e então, nós dois rimos. Um silêncio se instalou logo após.
-Promete que vai se cuidar? -Perguntou.
-Prometo, sim, meu amor -Respondi.
-Eu tenho que ir, chegamos em um shopping que vai ter a sessão de autógrafos -Explicou e eu entendi que nossa ligação teria que chegar ao fim. Não fiquei muito triste por isso, pois ele já tinha me animado um pouco.
-Certo. Divirta-se -Desejei, sincera. Adorava as fãs deles e mais da maioria também gostava de mim.
-Vai ser difícil, sabendo que você está dodói -Ele fez uma voz de criança e eu soltei uma risada leve.
-Não vai ser difícil nada, ok? Não pense em mim, concentre-se nos meninos e nas fãs.
-Você acha que eu consigo parar de pensar em você, amor? Está muito enganada! -Ouvi a risada dele e sorri.
-Lou, é sério, não quero que fique muito preocupado, eu tô bem -Não era totalmente mentira, eu tinha melhorado um pouco com a nossa conversa.
-Eu vou tentar, linda -Disse, num suspiro.
-Ótimo -Sorri- Te amo.
-Eu também te amo.
-Tchau.
-Tchau.

P.O.V Louis Tomlinson

É claro que eu não ia conseguir parar de pensar na s/n durante a sessão de autógrafos, isso é fato. Eu não gosto de pensar que deixei ela sozinha naquele nosso enorme apartamento. Me sinto um culpado. Minha esposa está doente, precisando de mim, e eu não posso estar lá com ela. É horrível essa sensação.

-Louis, vem! -Niall me chamou- Nós já chegamos.
-Oh, tudo bem -Saí do meu transe e deixei a van, seguindo com os meninos.
-Aconteceu alguma coisa? Tá pensativo demais, e você não costuma pensar -Niall comentou, achando graça e eu ri da piadinha dele, mesmo não estando em clima para isso.
-S/n tá doente. Queria estar lá com ela... -Fui direto ao ponto.
-Pensa pelo lado positivo: A turnê já esta acabando. Falta menos de duas semanas -Tentou me acalmar- Você logo vai vê-la.
-É, mas ainda assim, ela está sozinha e doente, sem ninguém pra cuidar dela. Eu devia estar lá, cuidando dela. Que tipo de marido eu sou?
-O tipo que trabalha cantando numa banda famosa? -Perguntou, rindo. Niall as vezes levava tudo na brincadeira e aquilo me irritava.
-A parada é séria, cara! -Chamei a atenção dele, e então, ele entendeu que não era momento para brincadeiras.
-Louis, não adianta ficar preocupado...
-Não é como se eu pudesse controlar, né.

Antes que ele pudesse responder, entramos na livraria aonde aconteceria o evento, e tudo o que eu ouvi a partir daí foi o grito das fãs por conta da nossa entrada. O que nos separava delas eram algumas fitas pretas e alguns seguranças, caso algo anormal aconteça. Sentamos nas cadeiras e então, a fila começou a andar.

Já tinha assinado mais de setenta livros e disso eu tinha certeza. Sorria fraco para as fãs, eu não estava muito no clima para isso. Eu falava um "oi" para a fã que chegava até mim, ela gritava ou falava alguma coisa, tremendo demais, e daí eu escrevia meu nome. Em seguida, eu passava o livro dela para o Zayn, que estava ao meu lado e tudo começava de novo com a próxima da fila.

-Oi, Louis -Uma menina que aparentava ter uns 5 aninhos chegou em mim, com o nosso livro em mãos. Ela sorria demais e seus olhinhos vermelhos mostravam que ela já havia chorado. Uma fofa.
-Oi, gatinha, tudo bem? -Tentei dar meu melhor sorriso.
-Sim. Você pode me dar um abraço? -Perguntou, completamente fofa e eu nem respondi, apenas levantei, e dei a volta na mesa, abraçando-a. A mãe da menina sorriu para mim, agradecida. Me agachei na altura dela e sorri.
-Qual é o seu nome? -Disse, cauteloso.
-Gracie -Respondeu.
-Que lindo nome! Adorei. -Sentei novamente e escrevi no livro dela.
-Louis? -Ela chamou minha atenção, e então eu a encarei.
-Sim, gatinha -Assenti, mostrando que ela poderia continuar. Um segurança avisou que a fila precisava andar, e eu sinalizei com a mão para que ele esperasse. Isso bastou- Pode falar.
-Eu vi que você tá meio triste. Aconteceu alguma coisa? Você é o meu preferido e eu não gosto de ver as pessoas que eu admiro triste -Ela é uma criança completamente inocente, por que eu não poderia contar para ela?
-Você conhece a minha esposa? -Perguntei.
-A s/n? -Os olhos dela brilhavam.
-Sim, ela mesmo -Sorri.
-Claro que eu conheço. Eu adoro ela.
-Ela tá doente -Fiz uma carinha triste e os olhinhos dela me encararam preocupados- Eu tô preocupado com ela, por isso tô tristinho assim... -Expliquei.
-Poxa, ela tá doente? -Assenti, e ela começou a chorar. Como assim? Minha pequena fã chorando porque minha esposa tá doente? Isso é sério? Não sabia o que fazer pois isso nunca tinha acontecido antes. A mãe dela se aproximou, ficando atrás dela e riu de leve. Passou a mãos pelos cabelos ruivos da filha.
-Tá tudo bem, gatinha, ela vai ficar boa logo, ok? -Tentei, falando isso, e ela assentiu, ainda chorosa- Eu posso tirar uma foto com você para amostrar à minha esposa? Ela vai adorar te conhecer... -Ela arregalou os pequenos olhos e eu ri por isso.

Peguei meu celular e fiz uma selfie com ela. O bracinho direito dela passava pelo meu pescoço, enquanto eu agarrava a cinturinha dela levemente. O sorriso da pequenina era um dos mais fofos que eu já tinha visto, mesmo com os olhinhos vermelhos pelo choro.

-Obrigada por tudo! -A mãe dela sorriu- Ela nunca mais vai parar de falar desse dia -Nós rimos.
-Estou entregando seu livro para o Zayn, tudo bem? -Sorri e ela assentiu.
-Tchau, Louis. Cuida bem da s/n -Pediu, e meu coração derreteu. Eu preciso ter uma filhinha, e ela precisa ser igual a essa fofura.

[...]

FINALMENTE a turnê acabou e estamos voltando para Londres. Não que eu não ame minhas fãs, claro que eu amo, aliás, sou muito grato à todas elas por tudo que fizeram por nós, mas quando todo esse negócio de banda acabar, que vai estar do meu lado vai ser a minha esposa, que no momento está precisando demais de mim.

A última vez que falei com ela foi há duas horas atrás. Ela insistiu em ir me pegar no aeroporto, mesmo ainda estando resfriada pra cacete. Quando ela quer, é bem teimosinha. Tive que avisar a toda a equipe que ela viria, então eles resolveram aonde ela ia me esperar, pois teríamos que sair pelos fundos.

Peguei minhas malas, desci do avião com os meninos e então, nós começamos a caminhar para onde nossa van estava, e onde s/n também tinha colocado o carro dela. Não podia evitar a ansiedade. Precisava vê-la, abraçá-la, cheirá-la, beijá-la o MAIS RÁPIDO POSSÍVEL.

E então, eu avistei-a de longe.

Minha esposa estava com uma calça jeans escura, uma blusa branca e um sobretudo preto. Ela se abraçava, provavelmente para se proteger dos vendos frios e quando me viu, veio correndo em minha direção. Sorri abertamente, e quando ela estava se aproximando, larguei minhas bagagens no chão, abrindo os braços, e então, ela pulou no meu colo, enroscando suas pernas em minha cintura. Fechei os olhos e aproveitei aquela sensação.

Não dá pra descrever a saudade que senti dos cabelos dela, do cheiro, do corpo... De tudo. Eu apertava muito a minha mulher, não sei como ela ainda não tinha reclamado disse. Demorou um pouco, mas nós fomos nos soltando um pouco.

Encarei seu rosto e a pontinha do seu nariz estava vermelho, como sempre ficava quando ela chorava. E ela estava chorando. Beijei suas duas bochechas, seus dois olhos, seu queixo, seu nariz, e finalmente, a boca.

Peguei-a pelos cabelos e aproximei-a mais para mim. Explorava cada canto da boca dela. Eu tinha ficado meses sem aquilo e nem sei como consegui sobreviver. Mas o que importava é que ela está aqui na minha frente. A mulher na minha vida.

Partimos o beijo, e eu a abracei mais uma vez.

-Senti tanto a sua falta -Ela confessou, com seu rosto afogado em meu peito.
-Somos dois, linda -Sorri, beijando seus cabelos de dois em dois segundos- E você é uma teimosa! Está resfriada ainda, e insistiu em me ver -Nossos rostos se encararam.
-Não ia aguentar esperar você em casa, sabe como sou -Sim, eu realmente sabia.
-Tudo bem, essa eu deixo passar, mas não vou me acostumar com essa rebeldia, hein -Fiz graça e então ela deu aquele sorriso maravilhoso dela.

[...]

-Ela não é linda? -Perguntei à ela, mostrando a foto com a minha pequena fã Gracie depois de contar toda a história, e ela sorriu, encantada.
-Linda demais! Ela realmente chorou? -Perguntou chocada.
-Sim, ela chorou. Quase derreti -Confessei.
-Isso foi meio gay -Gargalhamos- Mas, ela é uma princesa mesmo. Precisamos ter filhos o mais rápido possível, Lou...
-Isso não é problema para mim, né? Você sabe... -Não pude evitar em dizer com um tom de malícia na voz e ela sorriu.
-Por que você é tão bobo, hein, Tomlinson? -Ela se aproximou.
-Não é como se você não gostasse... -Disse, convencido.
-Então você acha que eu gosto? -Ela perguntou, colocando as mãos na cintura e eu assenti. Ela riu.
-Não é ao todo mentira, mas eu não vou ficar falando disso, se não seu ego fica lá em cima. -Explicou e eu ri, me aproximando mais dela, e prensando-a na parede.
-Tá afim de matar mais um pouquinho da saudade? -Falei, baixinho, perto do ouvido dela, enquanto mordiscava algumas partes interessantes.
-Eu adoraria... -Me animei- Mas não posso -Completou, e então eu parei o que estava fazendo e encarei-a, frustrado. Ela entortou a boca com uma feição de "desculpe".
-Tá naqueles dias? 
-Tô sim -Ela fez um biquinho, e me deu um selinho em seguida- Mas relaxa, quando eu ficar livre disso, você não vai me escapar, então iremos fazer muitos filhotinhos -Ela piscou e eu ri. Linda demais.
-Tudo bem -Disse, com um sorriso no rosto, mesmo estando frustrado. Eu estava de volta para ela, e nós ainda temos muito tempo para curtir um ao outro.

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