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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Divina Comédia



"Eu sei que foi uma ideia muito idiota minha te fazer essa carta, (ainda mais por invadir sua sala na hora do seu intervalo e jogar ela dentro da sua mochila) porque você é minha amiga e estuda na mesma escola que eu, mas eu não tenho coragem de falar na sua cara tudo o que eu vou falar aqui. Bom, no momento você deve estar se perguntando "o que o Harry está fazendo?", você já terá sua resposta! Só não conta para o Chad e o Jim que eu tô fazendo essa carta porque você sabe que eles vão me zoar até minha morte, né? Então ok, vou falar do real objetivo dessa carta: Se você descobrisse o que eu realmente sinto por você, a vida faria mais sentido. Sei lá, você me faz querer... Viver, (s/n). Sim, isso é uma declaração de amor para você. To assumindo aqui que te amo. Não amor de amizade, amor de algo mais que isso, você sabe do que estou falando. Agora que você já sabe que isso é uma declaração, quero te dizer que eu sou capaz de buscar a lua, as estrelas, o mar e muito mais se você me pedir. Eu mudo meus planos por você, (s/n). Eu tô apaixonadão e isso é uma merda, eu sei, mas não importa mais porque você é o meu vício, assumo. Ainda digo mais: Nada teria valor se eu não tivesse você ao meu lado. Tudo que tem você envolvido no meio, fica melhor. Eu sei que é bem possível você se afastar de mim por conta dessa minha confissão à você, mas se você tentar fazer isso, desista porque nada vai mudar o que eu sinto por você. Nada vai me afastar de você. Não há distância que me afaste de você. Mas nunca me abandone, por favor... Acho que mesmo que você não queira ficar comigo, pode aturar um melhor amigo apaixonado.. Mas meu corpo treme todo só de pensar em te perder, seria a maior loucura aceitar viver sem você. Enfim, eu vou terminar essa carta por aqui. Acho que eu já disse tudo o que eu queria te dizer. Fiquei pensando durante semanas se seria uma boa ideia fazer essa carta de gay para você, mas depois descobri que não tinha outro jeito, então... Aqui está essa minha arte, ahahah. Espero que me entenda. Seria ridículo eu te pedir uma chance? Ah, não quero te apressar e nem te forçar a nada, então tchau. Só não esquece que eu te amo... Amo demais."

Eu estou simplesmente chocada. Meu melhor amigo se declarando para mim... Mano, isso é... sei lá, foi um choque completo, eu realmente não esperar, porque tipo... Nós somos muito colados, andamos para cima e para baixo junto, aonde ele vai, eu vou, aonde eu vou, ele vai. Caraca, que surpresa!

-Terra chamando (s/n)! -minha amiga disse, estalando os dedos na minha cara.
-Oi, oi...-Disse, saindo do transe.
-Que houve, menina? 
-Eu só estava pensando em... uma coisa minha -Cocei a cabeça.
-Conta o que aconteceu para mim! Antes que a senhorita Carla nos olhe conversando na aula dela.
-Depois eu te falo, amiga. Primeiro preciso ter certeza dos meus sentimentos. Eu tô um pouco confusa.
-Tudo bem, não quero te forçar a nada, mas acorde e preste atenção na aula. A professora já te encarou umas cinco vezes.
-Ok -Assenti.
-Você entendeu senhorita (s/n)? -A professora disse em alto e bom som. Ferrou.
-É, eu... Hm, entendi.
-Então explique para mim?
-Não -Disse baixo. Mas como professor tem ouvido mutante...
-O que você disse? -Ela cerrou os olhos.
-Nada, professora!
-Então me explique, senhorita (s/n).
-Ok, eu não entendi nada -Ela sorriu, vitoriosa.
-Quando você ter a honra de repetir o último ano do ensino médio, não reclame.

Fiz uma careta pelo comentário totalmente assustador e desnecessário dela, e continuei a tentar prestar naquela bosta de aula completamente entediante. Até que os minutos não demoraram a passar, e logo chegou a hora da saída.

Procurei pelo meio daqueles tantos alunos o meu melhor amigo. Eu precisava falar com ele. Até que eu avistei aquele reconhecível mochila verde dele. Sorri sozinha quando o vi passar pela multidão de alunos e cumprimentar seus amigos. Terminei de descer as escadas e fui em direção a ele, que tirou todo o sorriso do rosto assim que me viu. Cheguei mais perto dele e perguntei se poderíamos conversar. Ele apenas assentiu com a cabeça, e então nós seguimos para uma parte calma da escola.

-Você leu minha carta, né? -Perguntou, enquanto caminhávamos.
-Sim, eu li. Para falar a verdade, fiquei bem surpresa. Mas achei fofo -Fui sincera.
-Eu tô com vergonha de ficar sozinho com você agora -Ele admitiu, envergonhado e eu sorri.
-Tá tudo bem, Harry... Nada mudou.
-Nada? -Ele me pareceu frustrado.
-Eu ainda não sei se correspondo seus sentimentos, Styles. E saber isso foi um choque para mim porque... Sei lá, eu não esperava -Dei de ombros e o encarei- E eu também não quero embarcar em um relacionamento em que eu não sinta nada pelo meu companheiro... Nós somos amigos há tanto tempo. Se for para surgir algo mais sério que amizade, vai acontecer. Mas está tudo bem, ok?
-Tudo bem -Ele sorriu- Acho que posso guardar meus sentimentos até você ficar livre para mim... Melhor amiga -Rimos- Só não comenta mais de garotos bonitos perto de mim, ok, dona (s/n)? -Gargalhei.
-Hey, Harry Styles... Nada mudou! 

Três meses depois...

Eu tentei não me apaixonar por ele para não o dar o gostinho de que ele pode conseguir o que quer quando se trata de mim, mas foi impossível. Ainda mais porque ele fica me cantando quase o tempo inteiro, gosta de me ter perto, está saindo mais comigo ultimamente... O cara que eu chamo de melhor amigo é um dos melhores garotos do mundo. É muito difícil encontrar homem assim hoje em dia, sabe? Um cara inteligente, maneiro, educado, engraçado, companheiro... E eu o conheço a tanto tempo, sei dessas qualidades dele há anos. Mas parece que tudo faz mais sentido agora e eu só queria saber POR QUE? Mas ok, não tem jeito, eu já sei o que fazer.

Vesti meu casaco e ajeitei meus calçados. Peguei a carta. Desci as escadas correndo e avisei a minha mãe que ia na casa do Harry. Isso se tornou uma coisa tão comum para ela, que ela já nem liga mais. Corri até chegar na casa dele, e quando fiquei em frente a porta, encostei na parede e suspirei, cansada, tomando fôlego. Quando consegui me recompor, respirei fundo mais uma vez e toquei a campanhia. A senhora Styles me atendeu com um sorriso bem simpático. Mandou que eu entrasse e me avisou que Harry estava no quarto dele.

Subi as escadas a bati na porta do quarto dele. Quando ele abriu, estranhou um pouco a minha presença ali, mas eu ignorei aquilo e fui direto ao ponto:

-Preciso falar com você.
-Ah, eu sei! Eu esqueci de devolver seu caderno de ciên... -Eu o interrompi.
-Não, Harry -ri- Nada disso.
-Então fala! -O olhei incrédulo e ele me olhou confuso, não entendo o que eu queria dizer.
-Vai deixar sua melhor amiga em pé do lado de fora? -Ele riu.
-Opss! -Me deu um espacinho- Pode entrar. Não reparei a bagunça.
-Impossível -respondi, rápido.
-É, eu sei -Ele disse, da mesma maneira e nós rimos.
-Mas, é um assunto mais o menos sério -Mudei minha expressão.
-Vish, lá vem bomba? -Ele fez uma careta, me fazendo rir outra vez.
-Não, garoto! Cala essa boca e me deixe falar.
-Vá em frente, dona (s/n) -Ele começou a brincar com uma bolinha, jogado de qualquer jeito na cama.
-Eu tô apaixonada por você -Fechei meus olhos com força. Ouvi a bolinha que ele segurava cair no chão e quando eu abri meus olhos, tive a certeza de que ela estava no chão. Harry estava paralisado, mas aos poucos, um sorriso foi surgindo nos lábios dele.
-(s/n) apaixonada pelo melhor amigo, Harry Styles? -Ele disse, num modo divertido e se levantou, vindo em minha direção. Fez eu colar minhas costas na parede porque ele me prendeu com os braços- Isso é sério? -Eu sorri para ele.
-Mais que sério, Styles.
-Valeu a pena esperar três meses.

Ele me beijou. E eu tive a certeza de que tinha tido a atitude certa.

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