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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Soube que me amava


FlashBack On

Aquele tênis estava deixando meus pés e meus dedos doloridos demais, me fazendo querer minha cama mais e mais a cada passo que eu dava. 
A mochila mega pesada estava fazendo minha coluna começar a doer.  
E as provas com notas baixas estavam deixando minha auto-estima para baixo e me dando uma vontade grande de chorar, ainda mais que hoje que foi um dos piores dias da minha vida.

Hoje, eu tive a "honra" de descobrir que a minha "melhor amiga" é uma Falsa! E mais: é colada com a garota que me odeia sem motivos desde o ensino fundamental. Ou seja, a menina que eu chamava de "melhor amiga" é uma garota SUPER falsa. Só de pensar que ela me enganou esse tempo todo me deixa com muita raiva. Como eu pude ser tão idiota? Argh!

Tudo o que eu mais quero no momento é deitar na minha cama e chorar tudo o que está preso dentro de mim. Eu tô me sentindo a pessoa mais fraca, sozinha, humilhada do mundo. E EU NÃO ESTOU NAQUELE PERÍODO EM QUE AS MULHERES CHORAM POR TUDO NÃO! Eu tenho motivos reais para chorar e me sentir desse jeito!

-Desculpa, o número da sua casa é 215, né? -Um garoto perguntou para mim antes que eu entrasse no quintal da minha casa.
-Tem uma plaquinha logo do lado da janela dizendo que o número da minha casa é 215, você não tá vendo? -Falei, um pouco grossa. Mas não é óbvio, po? Ele fez uma careta.
-Foi mal, pensei que era da casa do seu vizinho! Mas enfim... Mais cedo você não estava em casa e o correio deixou essa embalagem para você -Ele empurrou uma caixa pequena para mim- Agora vou indo porque sei que hoje não é um dos seus melhores dias.
-Quem é você para me dizer que hoje não é um dos meus melhores dias? -Comecei a ficar irritada.
-HEY, desculpe, eu só fiz um favor para você. Minha intenção não era te deixar... Brava. 
-Argh! -Murmurei e dei um tapa na minha própria cabeça- Me desculpe, eu não sou grossa desse jeito, é que eu só...Hm...
-Teve um dia ruim, né? -Ele completou minha frase.
-É -Afirmei, encarando meus pés e depois o olhando de volta- Desculpa e obrigado -Mostrei um sorrisinho.

Li o nome da pessoa que tinha me enviado aquela caixa. Era a traidora da minha ex-melhor amiga e eu sabia o que era aquela caixa. Meu presente de aniversário que foi semana passada. Ela me avisou que ia chegar aqui, mas enfim, eu não quero mais merda nenhuma. Não dela.

-De jeito nenhum! -Disse, após ler o nome dela algumas vezes. Dei dois passos e joguei a embalagem no lixo que havia ali perto.
-Uau! Parecia um presente -O garoto disse, meio surpresa com meu ato.
-E era um presente -Revirei os olhos.
-Por que jogou ele fora? -Ele perguntou confuso.
-Ok, se quer saber, meu aniversário de 17 anos foi semana passada e esse era o presente da minha EX-melhor amiga -Fiz questão de frisar o EX- Mas ela é uma idiota, falsa, ridícula, recalcada, tudo que se tem de ruim! 

Merda, meus olhos estavam começando a dar sinais de que lágrimas cairiam. Por que eu tenho que ser tão sentimental, hein? Por que eu tenho que chorar logo agora? Por que estou contando isso para um vizinho desconhecido que eu nunca tinha visto antes? PO, (s/n)!
Do nada, senti braços fortes envolverem meu corpo. O que ele estava fazendo? O que meu vizinho desconhecido -e lindo- estava fazendo? Eu esperaria que ele fizesse tudo, menos isso. Ele nem me conhece! Parece que ele me apertava ainda mais forte a cada soluço alto que eu dava. Aquilo era estranho, mas estava me confortando, então não o impedi.
Quando finalmente parei com a choradeira desnecessária e na hora errada, eu o encarei com os olhos vermelhos e com o rosto molhado.

-Desculpa chorar no seu ombro sem ao menos te conhecer. -Disse, limpando o rosto.
-Eu que te abracei, vizinha -Ele sorriu- E não fica assim, vai ficar tudo bem.
-Eu me sinto sozinha e... -Parei para pensar- Eu nem te conheço, não vou contar minha vida.
-Você que decide! E eu nem sou fofoqueiro, só para você saber... -Nós rimos.
-Tudo bem, vizinho! Pera, qual seu nome?
-Liam Payne, prazer -Ele estendeu a mão e eu a apertei sorrindo.
-(Seu nome completo), e o prazer é todo meu! -Ele sorriu- Então, Liam, quer entrar? Eu faço chocolate quente para nós dois e te conto meu problema, se você quiser, claro.
-Hmm, vejamos -Ele pareceu pensar- Uma vizinha chorona com um problema, precisando de um ouvinte e um chocolate quente, nesse frio.... Parece tentador! -Sorrimos- Aceito sim!

...

-Você é péssima para escolher melhores amigas, (s/n)! -Ele disse, num modo divertido. Como ele podia tornar isso em uma coisa engraçada, que me fazia gargalhar? -Ele depositou a xícara dele na mesinha de centro.
-Então me ensina a escolher bons melhores amigos, ôh sabichão! -Nós rimos.
-Tem que ser uma pessoa divertida, sabe? Que zoe com a sua cara, mas que na hora que você precise, ela esteja lá.
-Te conheci hoje, você ainda é um estranho, mas essas coisas que você disse se encaixam perfeitamente em você.
-Ah, é? -Ele se virou para mim, prestando mais atenção- Tipo o que? -Um sorriso bem bonitinho surgiu nos lábios dele.
-Tipo, você é bem divertido! Pensei que ia chegar em casa, deitar na cama e chorar por conta dessa situação, mas eu estou aqui gargalhando por causa dessa mesma situação com VOCÊ! Tem noção? -Ri- Você me zoou de chorona e, hm... Quando comecei a chorar que nem uma doida, você me confortou -Sorri- Você é um cavalheiro, Liam Payne.
-Assim eu fico envergonhado! -Ele disse que nem um gay e eu gargalhei- Mas você me deixou confuso. Sou um cavalheiro ou um estranho? -Ele arqueou as sobrancelhas e eu bebi um gole do meu chocolate quente.
-Até agora, você mostrou ser um cavalheiro, mas ainda é um estranho porque não te conheço direito, então, os dois -Dei de ombros e ele riu.
-Ta afim de ir na lanchonete do bairro amanhã? Só para ver se eu consigo deixar de ser um vizinho estranho, sabe? -Eu ri.
-Hmm, vejamos -Imitei a cara de pensativo dele- Um vizinho cavalheiro e estranho que quer deixar de ser um estranho para mim e uma lanchonete que tem o melhor hambúrguer do bairro... Parece tentador -Ele gargalhou ao perceber que eu tinha imitado sua fala de antes.

FlashBack Off

-É, amor, você conseguiu mesmo deixar de ser estranho! -Disse para meu noivo.
-É óbvio que eu consegui. Eu sou demais, amor... Quase quatro anos de namoro, dois de noivado, estamos quase casando e você ainda não descobriu isso! -Gargalhei.
-Descobri que você é um metido, isso sim -Ele me deu língua.
-Um metido que você ama que eu sei...
-Pois é, amo mesmo -Dei língua também e ele aproveitou para me beijar.

Essa é a nossa história. História essa que eu nunca vou esquecer. Estará sempre guardada em minha memória, para contar para nossos filhos, netos e bisnetos. Liam entrou na minha vida de repente e no momento em que eu mais precisava. Ele me confortou e consequentemente me fez ter forças! 

Eu o amo, ele é o homem da minha vida.

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